Mirtes
De repente eu me vejo
Amarelada, bodeada, sem ninguém
Nessas horas aparece a preguiça
A vontade de sumir... de vez

Se me der na telha sou capaz
De enlouquecer
E mandar tudo pr´aquele lugar
E fugir com você pra Shangrilá
E me deixar levar
Por um beijo eterno
Por seu corpo envolvente
Mais quente que o inferno

Rita Lee
Mirtes
Devolve toda a tranqüilidade
Toda a felicidade
Que eu te dei e que perdi.

Devolve todos os sonhos loucos
Que eu construí aos poucos
E te ofereci.

Devolve, eu peço, por favor
Aquele imenso amor
Que nos teus braços esqueci.

Devolve, que eu te devolvo ainda
Esta saudade infinda
Que eu tenho de ti.

Mário Lago
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Mirtes
Se te procuro , fujo de avisar-te,
E se te quero,evito mais querer-te,
Desejo quase...quase aborrecer-te,
E se te fujo,estás em toda parte.

Distante,corro logo a procurar-te,
E perco a voz e fico mudo ao ver-te,
Se me lembro de ti, tento esquecer-te,
E se te esqueço,cuido mais amar-te.

O pensamento assim partido ao meio,
E o coração assim também partido,
Chamo-te e fujo,quero-te e receio!

Morto por ti,eu vivo dividido,
Entre o meu e o teu ser sinto-me alheio,
E sem saber de mim vivo perdido!

José Bonifácio
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Mirtes
É claro!! Sempre estava afim!
Uma noitada, música,
burburinho de vozes,
matizadas em vários tons...
Mais uma dose!!!
Estalar de copos, gargalhadas...
Mistura de sons!!!
É a boemia insone
exibindo falsa alegria,
procurando encher de amores
a madrugada vazia...
Já gostei...
...já fui assim!!
Hoje, a insônia, desabafo no papel...
Encontro marcado comigo!!!
Que ironia!!
Sou no momento, minha melhor
e mais fiel companhia...

Márcia Fasciotti
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Mirtes
Há um sonho a realizar
Há um tormento a esquecer,
Flores a nascer
Gente a morrer.

Há uma noite insensata
Há um luar de prata
Maldade de quem mata,
Há quem morra por amar...

Há a tua voz sem coragem
Há o amor em vantagem,
A subtileza da fluidez humana
A água que cai e te chama.

Há os espelhos da nossa Casa
Há os espelhos do Salão,
Igualmente plácidos
Divinamente exactos.

Há a dor daquele que não sai
E do outro que não tem casa
E prolonga na vida,
Um sonho mudo e fortuito.

Oh, quanto me pesa,
Minha memória passada
Minha memória presente
Minha memória ausente.

Há um sonho a realizar
Há uma insensatez a esquecer,
Flores a nascer
Gente a morrer.

Há um verso a caminhar
No Universo,
A tentar um ramo aberto
Para adormecer
Na linha recta,
O Olhar na linha curva.

Há um sonho a realizar
E és tu, meu amor!

Maria Luísa Adães
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Mirtes
Não me importo...
Que pensem o que quiserem...

Não me importo...
Que imaginem o imaginário...

Não me importo...
Que digam o que não é...

Não me importo...
Que inventem o que apetecer...

Não me importo...
Que falem, só para não estarem calados...

Não me importo...
Que acordem e pensem que dormi...

Não me importo nada...
Mas importo-me...
Em ser eu...
Em estar presente...
Em ter os olhos abertos...
Em estar atenta...

Em ver o que o mundo precisa...
De gente que saiba sorrir...

E assim, muito a sério...
Eu importo-me, mesmo!...

LILI LARANJO
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Mirtes
Olhando você, assim,
- absorto e mudo -
revolvo lembranças que
nos ressuscitem ou
ressuscitem mosaicos da
nossa vida....

O nosso mundo, carícias,
planos de futuro, amor apaixonado.

A nossa casa, que já foi tão nossa,
tem hoje uma divisória (imperceptível aos olhos)
demarcando os territórios (e os mandatários)...

Não nos tocamos, nos perdemos,
nem sei se me lembro da sua voz,
(nem para acusar nos falamos mais)...

O seu mundo fechou-se para mim
e o meu não existe para você.
O seu silêncio é tão rude,
a sua indiferença tão fria,
que mesmo estando a um braço do teu corpo
não tenho coragem de estender a mão,
oferecer meu corpo e meu perdão
e dizer que (apesar das mágoas já vividas)
tudo o que eu mais queria desta vida
era você nos meus braços...
outra vez...

Maria Tereza
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