Mirtes
Os céus que me seguem são assim:
fechados

ribemboam
batem com as estrelas na minha cara
me jogam em buracos negros
em auroras
perdidas
entre pingos
de chuvas
que se perdem
e nem chegam ao solo
e nem molham a terra

são assim como que céus de cinzas
longínquos assomos de luz e alento
que vez por outra
desabam sobre a minha cabeça
e achatam por dentro
minha alma
de cristal e trincas

os céus que me seguem
fizeram-me assim
meio voador
meio desiquilibrado
num desajeitado bater de asas
e uma esquisitice de fazer
tremer os beiços

fantasmagoriam-me os céus que me seguem
as ilusões e as fantasias
e os folguedos
e tudo de martírio e amor perdido
entre o caminho do peito e a mente
entre a ponte e o porto
entre o fundo do mar e de mim
assim são os céus que me seguem

os céus que me seguem são assim.

Silvio Carreiro

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Mirtes
Lembro que ela disse meio triste uma vez
A vida não é só sair por aí a fora
O prazer real não vem só em caça
Tudo que naturalmente te aflora
Só a lua poderá lhe dizer o quanto eu gosto de você

Por mais que eu tente não consigo entender
A vida é muito curta não há tempo a perder
Eu vendo minha alma por seu beijo
Permito confundir ansiedade com desejo
Só a lua poderá lhe dizer o quanto eu gosto de você

Grupo Absyntho
Mirtes
Se a vida é curta ou longa demais para nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
Se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira,
Pura . . .
Enquanto durar . . .

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

Sandramurta
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Mirtes
Vou sem rumo
Tão grande o Mundo...

Balançam as ondas
Batem suaves
Na cadência das águas,

Escondem minha existência.

Um barco estremece e eleva-se,
Leva o peso de meus sonhos.

Outro barco balança
As velas ao longe,
Outro segue o seu destino.

É um mundo com sol,
Mas sem chão.

Tudo se aquieta
Num tempo derradeiro
Numa despedida de pranto.

A noite se curva de frio.

A magia do silêncio
O encanto da Natureza,
Juntam-se ao amor palpitante
De meu coração tremente.

As ondas murmuram
Leves e nuas como eu,
Tudo é uma aventura
Dos fantasmas que persigo.

E ondas prenhes de saudade
Escutam meu canto de ansiedade.

Ouço o rumor de teus passos
E meu sorriso suspenso
Sente o teu abraço.

E se entrega fremente
A esse abraço...

Onde ficou teu outro Eu?
Não respondas,
Não acuso,
Esquece

Somos Senhores,
Do nosso mundo!

Maria Luísa
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Mirtes
De repente eu me vejo
Amarelada, bodeada, sem ninguém
Nessas horas aparece a preguiça
A vontade de sumir... de vez

Se me der na telha sou capaz
De enlouquecer
E mandar tudo pr´aquele lugar
E fugir com você pra Shangrilá
E me deixar levar
Por um beijo eterno
Por seu corpo envolvente
Mais quente que o inferno

Rita Lee
Mirtes
Devolve toda a tranqüilidade
Toda a felicidade
Que eu te dei e que perdi.

Devolve todos os sonhos loucos
Que eu construí aos poucos
E te ofereci.

Devolve, eu peço, por favor
Aquele imenso amor
Que nos teus braços esqueci.

Devolve, que eu te devolvo ainda
Esta saudade infinda
Que eu tenho de ti.

Mário Lago
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Mirtes
Se te procuro , fujo de avisar-te,
E se te quero,evito mais querer-te,
Desejo quase...quase aborrecer-te,
E se te fujo,estás em toda parte.

Distante,corro logo a procurar-te,
E perco a voz e fico mudo ao ver-te,
Se me lembro de ti, tento esquecer-te,
E se te esqueço,cuido mais amar-te.

O pensamento assim partido ao meio,
E o coração assim também partido,
Chamo-te e fujo,quero-te e receio!

Morto por ti,eu vivo dividido,
Entre o meu e o teu ser sinto-me alheio,
E sem saber de mim vivo perdido!

José Bonifácio
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